Suspiros.

Quando foi que eu deixei de ser eu mesma?
Quando foi que eu deixei de acreditar?
Quando foi que eu descobri essas coisas?
Parece tão escasso as informações. Quando você pensa, já se passaram anos, e quando você olha pra frente, nada mais vê do que trilhas longas. Longas e dolorosas, onde provavelmente ninguém a salvará. Mas do lado dessas trilhas, há cordas, e nelas eu me apoio. Essas cordas, as vezes parecem ter sido confeccionadas pelos meus longos cabelos, que caíram quando eu cortei-os. 
Mas parecem, também, algumas alegrias que de tão alegres, me fazem me sentir solitárias.
Me sinto assim porque essas alegrias não são alegrias iguais a de anos atrás.
Eu sei disso, pois me sinto solitária por não rir das mesmas coisas que os outros, porque antigamente, eu já pude rir de coisas parecidas, mas os acasos e descasos da vida me roubaram esses sorrisos.
Elas são, de fato, confortantes; mas não aquecem meu coração frio, não derretem minha máscara de cera.
E então, entre suspiros, vou caminhando evitando me machucar. Evitando ouvir coisas que me são desagradáveis, e evitando coisas que talvez sejam alegres. Por quê?
Simplesmente não sei. Não sei mais por que eu choro, ou por que eu rio. E também não sei explicar aquelas horas em que eu choro sorrindo. Então evito sorrir enquanto choro, e vice-versa.
Assim talvez eu me poupe de dores na alma, ou mesmo aqueles olhos inchados na manhã seguinte. Sorte é a minha gripe; que esconde meus olhos lacrimejados de tristeza, fazendo que todos acreditem ser da minha saúde.
E então, no meio de tudo, continuo tentando viver. No medo de morrer, no medo da dor, prefiro viver carregando uma dor que eu sei que irei sentir, do que tentar conhecer a dor que nem sei de onde vem, me assolando todos os dias quando avisto uma faca. Ou quando vejo um prédio alto demais.


Se um dia alguém conhecer esta minha dor, e conseguir me reconfortar, espero que as mais alegres felicidades lhe batam à porta, e que me esqueça, pois não desejo felicidades, desejo apenas um conforto onde não se possa pensar se está triste ou alegre, apenas dormir em profundos suspiros de cansaço, de tanto rir.
Se chorarei, é porque estou viva. Ser fraca ou forte não me importa mais. Eu estou viva. E muito mais viva do que um dia já fui antes, quando nem chorar me era permitido. Não grito; a voz fica presa na garganta. Mas mesmo assim, o que sobra são lágrimas que são feias, mas depois me fazem cair cansada em sono cedo demais, mas confortavelmente, buscando o amanhã.


Para então repetir as mesmas coisas; até o dia em que minha rotina, sem que eu note, mude.
Ou pare.




Falando em suspiros, me deu fome.

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